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Conflitos entre fotógrafos, celebrantes e convidados

9 de novembro de 2013

Decidi escrever  sobre o assunto “Conflitos” porque tenho ouvido cada vez mais relatos sobre isso e senti que deveria contribuir um pouco a esse respeito.

Antes de tudo, gostaria que soubessem por que me voluntariei a escrever sobre esse tema: não é apenas pelo fato de escrever em um blog de casamento. Inclusive, acredito que nós que escrevemos em blogs, seja ele de qual assunto for, devemos sempre ter a humildade de compreender nossas limitações e saber que, por mais que estejamos inseridos em um assunto – no meu caso, o mundo dos casamentos -, sempre temos algo a aprender com pessoas que estudaram e se profissionalizaram há muito mais tempo naquela área. Comecei a bloggar sobre casamento em 2009, aprendo muito sobre o assunto com muitos profissionais e sei que há muita gente muito mais capacitada e experiente do que eu no mercado. Compartilho aquilo que sei e me disponho sempre a aprender aquilo que não sei.  Mas se engana quem acha que bloggar é apenas criar um site na internet e começar a escrever aquilo que quiser e que gostar, dando opiniões e pitacos ao “deusdará”, correndo o risco de fazer papel de ridículo. Eu e Bel, desde 2011, nos atualizamos sempre em cursos, workshops, feiras, exposições e pesquisas, sempre tentando nos profissionalizarmos mais e mais a respeito do mercado de casamentos, dos relacionamentos interpessoais, do próprio mundo de mídias sociais e do marketing digital.

Então, voltando à razão pela qual me voluntariei a escrever sobre o tema “Conflitos”, minha formação acadêmica, de fato, é em psicologia. Sou psicóloga, e dentre as minhas áreas de ênfase, sou capacitada em mediação de conflitos e trabalhei durante alguns anos como mediadora de conflitos em um programa do governo de Minas. Acredito que minha formação e minha experiência me trouxeram um olhar que me permite compreender um pouco a respeito dos conflitos humanos, suas razões e possíveis consequências e ‘desenrolares’. Essa experiência me fez ter uma visão ampla a respeito das várias facetas e lados que envolvem um mesmo conflito, e das reflexões e posturas necessárias para que um determinado conflito seja solucionado pelas próprias pessoas envolvidas nele.

Este ano já fiz uma palestra sobre o tema “Conflitos na preparação do casamento” tanto no evento Casando com Amor que realizamos no Rio de Janeiro, quanto no evento “Noiva Mais” em Macaé-RJ, no mês de agosto, para o qual fui convidada a participar e contribuir.

Por isso, convido a vocês a refletirem comigo alguns pontos a respeito de um assunto controverso e polêmico.

Antes de iniciar, queria dizer que quem me conhece e conhece a Bel, sabe que não vendemos o espaço do blog a fim de agradar ninguém: nem possíveis fornecedores ou pessoas “influentes” no meio, nem agradar as noivinhas de toda e qualquer forma, sem nenhum senso crítico. Essas coisas, pra gente, se chamam “prostituição”. Tudo que fazemos por aqui tem o intuito de valorizarmos o verdadeiro sentido do casamento, inclusive da festa de casamento (sim, ela tem sentido), e dentro dessa proposta, oferecermos conteúdo de qualidade e reflexões que gerem crescimento pessoal e profissional, tanto às noivas quanto aos fornecedores. Além disso, prezamos por princípios que acreditamos e pela nossa própria autenticidade. Por isso, talvez, algumas coisas das quais vou falar neste post não agrade a gregos e troianos, mas não tenho a pretensão de comprar ninguém com uma opinião vendida, e, por isso, tentarei oferecer o máximo de uma postura que considere uma visão global e realista dos fatos.

Então, hoje, vou falar um pouco sobre os conflitos envolvendo os fotógrafos, cerimoniais e cinegrafistas do casamento: a relação entre eles, a relação deles com os noivos, e a relação deles com outros profissionais do ramo e os espaços de celebração de casamento.

Em primeiro lugar, já é de conhecimento de algumas pessoas que algumas igrejas – principalmente católicas – de BH têm restringido bastante o exercício dos profissionais de imagem e de cerimonial dentro das mesmas, mas o que algumas pessoas não sabem é o que realmente tem levado essas igrejas a adotarem essas medidas, por vezes levando alguns noivos e profissionais a crerem que “o aquele celebrante é muito mal educado, grosso” (embora possam ser *também*) ou que “determinada igreja é muito rígida, cheia de regras”. Então, vamos aos fatos.

 Por mais que alguns profissionais não sejam religiosos ou que as celebrações religiosas possam não fazer sentido pra eles, em primeiro lugar, é preciso entender que elas fazem sentido para aquelas pessoas que são religiosas – no mínimo, o celebrante do local, e, na maioria das vezes, dos noivos que ali escolheram se casar. É preciso, sim, uma postura de respeito e até mesmo um traje que respeite o local. Só pra citar um exemplo, fugindo do clichê das igrejas cristãs: eu não chegarei dentro de uma mesquita com um short e uma blusa de alça, só porque aquela regra não faz o menor sentido pra mim. Se comportar dessa forma simplesmente porque você acha, por exemplo, que “Deus não liga pra essas coisas” é no mínimo uma necessidade de auto-afirmação bastante infantil. Aquele local foi construído pra quem acredita naquilo; é você quem tem de se adaptar, não os outros se adaptarem a você (repetindo: não naquele local!).

 Então, chegando ao ponto que eu queria: devido ao fato de não ligarem pro significado daquele local onde estão, alguns profissionais estavam abusando – e muito! – de posturas desrespeitosas dentro de templos religiosos, deitando e rolando (acreditem: muitas vezes até literalmente!) para conseguir uma “boa imagem” (e não falo aqui de qualidade: falo de necessidade de conseguir imagens “diferentes” e “criativas” para concursos, etc). Deitar no chão do altar, ficar ‘perambulando’ ao redor dos noivos e do celebrante, atrapalhar momentos importantes da cerimônia são alguns dos incidentes que estavam ocorrendo (e ainda ocorrem). Algumas igrejas, por isso, cansadas de determinados abusos, acabam adotando medidas “radicais”, e por causa disso, todos os profissionais precisam pagar pelos erros de alguns – por exemplo, enfrentar regras extremamente rígidas de conduta, ou na pior das hipóteses, receber até mesmo um ‘puxão de orelha’ do celebrante no meio da cerimônia (vejam bem: eu também concordo que algumas medidas possam ser demasiadamente inflexíveis, mas o que proponho aqui é entender o porquê dessas medidas terem sido tomadas).

Com relação aos episódios de celebrantes parando a cerimônia para chamar a atenção de um profissional (às vezes o fato nem foi tão grave mesmo, como sei que já aconteceu com amigos), apesar de achar bastante grosseiro por parte do celebrante e até mesmo constrangedor para os noivos, acho importante a gente compreender também um pouco o lado deles, assim como entender por que eles já reagem com toda essa “defensiva”. Já ouviram aquele ditado, “gato escaldado tem medo de água fria?”. Pois é, é bem provável que esse celebrante já tenha passado por tantos desgastes e falta de respeito, que adotou a política da “tolerância zero”. Claro que deselegância e falta de educação não são justificáveis, mas não estou justificando, apenas contextualizando e propondo uma compreensão ampla da coisa.

Lembram desse vídeo que se tornou um viral na internet, em que um padre americano pára a celebração e se zanga com o fotógrafo (acho que irritado com os barulhos de tantos cliques atrás dele)? Os noivos ficaram visivelmente constrangidos. Esse episódio rendeu muitas discussões na internet a respeito de “imposturas profissionais” tanto dos celebrante quanto dos profissionais de fotografia: 

Vejam que nem se trata de uma postura que desrespeitou um “local sagrado” da cerimônia (que acontecia num espaço aberto), como eu dizia anteriormente, mas sim o “momento sagrado” da cerimônia, ou seja, não é mais uma discussão sobre templos, e sim sobre o significado de uma cerimônia religiosa e o respeito que se deve a ela e ao celebrante em questão. Acho que inclusive, muitas vezes, a questão vai além do fato de ser um local ou um momento sagrado, mas do respeito e limite ao espaço de trabalho do próprio celebrante (que pode, por exemplo, não ser religioso, portanto, o sagrado aqui não estaria em questão), ou de qualquer outro profissional, como falarei mais pra frente.

A respeito do episódio acima, o blog sobre fotografia de casamento BlogWedding fez até uma enquete com alguns fotógrafos nacionais a respeito do acontecido e eu escolhi algumas respostas que considerei muito ponderadas para compartilhar com vocês:

“Não concordo com a forma que foi feito, mas o cara estava com uma metralhadora atrás do padre, né? Enche o saco mesmo. A maioria dos fotógrafos fica irritado quando o cara do vídeo joga uma luz ruim ou quando um convidado entra na frente com seu super celular pra fotografar porque atrapalha o trabalho dele. (…) E o trabalho do padre não precisa ser respeitado? ‘Mas ele foi ríspido demais’. É foi sim, concordo, mas alguém sabe o que aconteceu antes? Se ele já tinha dado um toque? Se já tinha dado aquele olhar que diz tudo e o cara ignorou? Se o fotógrafo já não foi advertido por ele em outro evento? É preciso respeitar para ser respeitado, se não demonstramos respeito não poderemos reclamar quando formos tratados de forma igual”. (Ricardo Barbieri, fotógrafo de Nova Friburgo-RJ)

“Bom senso dos dois lados nunca é demais. Afinal um está celebrando um rito religioso, que se prevê respeito, e o outro está trabalhando para seu cliente, os noivos. Jogo de cintura e educação é sempre válido. Não custa perguntar para o celebrante se ele tem alguma restrição de fotos em algum momento. Mesmo que possamos dar uma escapadinha para fazer “aquela foto”, evitamos constrangimentos. Bem eu já tomei uma “bronquinha” educada e aprendi que existe uma distância de segurança entre todos os presentes. (…) Pelo fato de eu ser católico, entendo um pouco mais dos aspectos religiosos do que outros profissionais que não conhecem o rito e são apenas fotógrafos em um prédio. Isso muda muito a abordagem. Mesmo assim, em busca do melhor ângulo, todos estamos sujeitos a errar dentro da “liturgia”, pois quando a adrenalina sobe, é complicado. Aquele padre do vídeo não foi tão rude, não”. (Roger Soares, fotógrafo de São Paulo-SP)

“A princípio, parece que o fotógrafo já devia ter feito alguma coisa antes. Pelo modo com que o celebrando reagiu parece que aquela “rajada” de fotografias atrás dele foi a gota d’água. (…) Já vi “profissionais” ficando de quatro e/ou deitado no corredor e no altar da igreja. Já vi “fotógrafo” chegando tão perto das mãos do casal e disparando o flash na cara do padre e até mesmo usando a batina dele como rebatedor.  Creio que num templo, igreja, campo, qualquer lugar onde se esteja fotografando, quem manda ali é o celebrante e temos que respeitar as leis locais. Assim como nós, o celebrante e seus colaboradores também estão trabalhando. (…) Enfim, temos que fazer ótimas fotos? Sim, claro… Estamos sendo pagos para isso. Temos que dar nosso melhor para o casal? Com certeza. Temos que inovar e buscar fotos diferentes em todos os casamentos? Sim, mas tudo dentro dos limites. Demora tanto para fixar nossa marca no mercado, mas para “queimar nosso filme”, basta um segundo.” (Luciano Moraes, fotógrafo de Poços de Caldas-MG)

Aproveitando o ensejo, e não deixando a bomba apenas nas mãos dos profissionais de imagem, conheço também casos de muitos cerimoniais que estavam cometendo as mesmas “imposturas profissionais” dentro de templos ou mesmo em cerimônias fora de templos.

Como eu já disse, não concordo com atitudes grosseiras de celebrantes e considero que esta também são, sim, “imposturas profissionais” por parte dos mesmos – mas entendo o fato delas acontecerem, assim como entendo os fotógrafos estarem querendo dar o melhor de si para captarem os melhores registros para os noivos, às vezes sendo até indiscretos. Acho que a melhor forma de evitar esse tipo de situação é estabelecendo um diálogo entre celebrante e os profissionais que atuarão na cerimônia, antes do início do casamento ou mesmo alguns dias antes, pra que cada um esclareça sobre sua prática, seu espaço de trabalho e seus limites.

Acredito que é importante vocês, noivas e noivos, saberem disso, para conversarem bastante com os profissionais de imagem e de cerimonial do seu casamento, assim como com a igreja e o celebrante escolhidos, para traçarem suas expectativas, prioridades e conhecerem o real limite de cada um deles – e até mesmo, quem sabe, pedir que eles se comuniquem entre si.

Alguns fotógrafos e videomakers podem me perguntar:

– Mas como conseguiremos as fotografias que os noivos tanto querem, se não nos metermos no meio da celebração, no meio deles, do celebrante, etc? Ou mesmo: como vou conseguir as fotografias que eu tanto quero? Ou mesmo: como vou conseguir as fotografias minimamente essenciais de uma celebração?

É por isso que considero fundamental um diálogo claro e aberto sobre essa situação com os noivos. Sejam honestos no momento em que forem apresentar seus trabalhos e fechar seus contratos: por exemplo, esclareçam os limites de sua atuação dentro de um templo religioso – até mesmo pros noivos não terem expectativas falsas de fotos “extremamente-enlouquecidamente-incrivelmente-fodasticamente-sensacionais” na hora da celebração. (Ou melhor, é possível sim, vocês darem tudo de si e entregarem imagens sensacionais aos noivos, mesmo com as restrições do local: sendo profissionais qualificados, éticos e sensíveis, registrando as emoções e a verdade do momento, acima de tudo). Falem da postura que vocês precisam ter, dos momentos que você não pode subir no altar, ou se aproximar demais, ou mesmo que não pode gravar, etc. E, na minha opinião, isso deveria ser independente do quão rígida uma igreja é: por mais que um local seja super flexível, a priori seria uma obrigação do profissional saber respeitar os momentos adequados.

Sei que vou receber chuvas de críticas de profissionais por causa disso, que podem achar que estou apenas dando um “pitaco” sem conhecer a realidade do que eles passam e do que eles necessitam para realizar um trabalho perfeito, mas não pensem que escrevi tudo isso apenas basendo-se em minha própria opinião sobre o assunto, sem considerar o lado e as necessidades dos profissionais: antes de me propor a escrever isso, conversei bastante com alguns fotógrafos a respeito do assunto em questão. Observei uma pessoa em especial, profissional de fotografia reconhecida e premiada, que possui toda essa postura de respeito e limite que já relatei acima e, ainda assim, consegue registrar momentos em imagens incrivelmente lindas e sensíveis.

Também sei a importância que os próprio noivos tem na compreensão dessa limitação do trabalho dos profissionais de imagem durante a cerimônia, e por isso, eu faço questão de dizer isso a vocês, leitores aqui do blog que são noivos e noivas: muita atenção com o tipo de exigência que vocês fazem a seus fotógrafos e cinegrafistas. E não digo de uma exigência de qualidade e profissionalismo (que, digamos, é mais que uma obrigação), mas sim de exigência de certas imagens e momentos que podem comprometer a fluidez do dia do seu casamento e até mesmo certas exigências que chegam a “violentar” o profissional contratado.

E aqui, entro no outro ponto do assunto que eu queria tangenciar: a relação entre fotógrafos e cinegrafistas, e até mesmo entre os convidados da celebração.

É sabido que a relação entre fotógrafos e cinegrafistas, e destes com os cerimoniais, é por vezes delicada, devido a tanta proximidade com que trabalham, e ao mesmo tempo, ao estilo e postura de trabalho de cada um.

Nesse sentido, é preciso que os profissionais se entendam e respeitem o espaço de atuação de cada um, pra que todos possam oferecer o melhor serviço final possível aos seus clientes, os noivos.

Por isso, profissionais de imagem e de cerimonial, procurem saber com seus clientes quem são os outros profissionais que eles estão contratando. Verifique se você já tem alguma relação com aquele profissional ou se já trabalhou com ele antes, se já conhece a postura de cada um; de toda forma, façam contato, combinem as formas de atuação e os limites, afinal de contas, por mais que cada um de vocês seja contratado independentemente, no dia do casamento é inevitável que o trabalho acontece em equipe! Inclusive, o cerimonial aqui pode ter um grande poder catalisador, ao estabelecer esse contato com todos os fornecedores e fazerem conhecer e convergir as ideias e atuações.

Sei de casos em que profissionais de vídeo foram registrados em quase todas as fotos de casamento, devido à falta de diálogo com os profissionais de fotografia e, assim, passando na frente dos mesmos durante todo o tempo de celebração.  Além do famoso uso do LED e da luz, o qual é tanto motivo de polêmica e discordâncias entre ambos os setores de profissionais. Isto deve ser conversado antecipadamente (mesmo que seja minutos antes do início do casamento), para que cada um estabeleça seu espaço e respeite a atuação do outro. Assim também, sei de profissionais de fotografia que também apareceram durante quase todos os momentos da filmagem pelo mesmo motivo elencado acima. E como já disse, as situações ocorrem igualmente com os profissionais de cerimonial, que podem tanto sofrer obstruções em suas atuações, como prejudicarem as imagens e os registros dos outros profissionais.

E infelizmente isso não tem acontecido somente nos momentos das cerimônias não, mas também em ensaios, making of’s e durante a festa.

Sei também de situações em que as equipes de fotografia e/ou filmagem e também de cerimonial eram tão extensas (ou ‘perambulantes’) na cerimônia, seja dentro ou fora de um templo, que atrapalhavam os próprios convidados de conseguirem assistir a mesma ou até de enxergar os noivos (sei de caso que um fotógrafo se posicionou entre o noivo e a noiva, no corredor da igreja, para fotografar a entrada dela, o que impediu que eles se enxergassem e até mesmo cortou a emoção do momento. O mais triste é saber que isso não é tão incomum quanto eu pensava). Acho que, antes de tudo, é necessário bom senso de entender que o momento é dos noivos e da família, e eles têm o direito de usufruírem e assistirem livremente e sem interrupções à cerimônia. E, claro, isso também deve ser esclarecido e falado honestamente nas reuniões com os noivos.

Por isso, reitero a importância do diálogo entre os profissionais contratados, e dos noivos, inclusive, solicitarem aos mesmos que esse diálogo seja realizado e estabelecido, pra que o casamento que está sendo preparado com tanto cuidado não seja prejudicado por falta de convergência entre os fornecedores.

Aproveito para falar de um assunto também polêmico, mas já que tenho falado de tantas imposturas profissionais, acho que é justo que eu toque nesse assunto que pode ser evitado a partir de uma mediação dos próprios noivos com seus convidados e com isso, ajudar na atuação de vários profissionais de imagem: o uso de aparelhos fotográficos digitais por parte dos convidados durante a cerimônia de casamento (celulares, máquinas fotográficas e tablets).

A questão de permitir o uso ou não, eu deixo por conta dos próprios noivos decidirem, a partir da realidade do contexto social e familiar de cada um. Sei que há um grande movimento pelo “não-uso” de aparelhos pelos convidados durante a cerimônia de casamento e, muitas vezes, nem mesmo na festa, por vários motivos: aproveite mais o momento, ou não exponha os noivos e a família em redes sociais sem permissão deles, etc.

A questão é que acredito que cada noivo ou noiva deve analisar o que é importante pra si, e estabelecer as próprias ‘regras’ do seu casamento de acordo com aquilo que valorizam e julgam prioritário ou essencial.

Alguns noivos são discretos, não querem que seu casamento seja exposto em redes sociais: isso deve ser comunicado e pedido aos convidados. Alguns não querem apenas que seus convidados usem aparelhos durante a cerimônia, pra que prestem mais atenção e participem com eles, mas não importam que façam uso dos mesmos durante a festa: isso também deve ser comunicado. Outros noivos já não ligam para o uso de aparelhos e registros fotográficos informais nem na cerimônia e nem na festa, e, inclusive, até gostam muito disso e fazem questão dessa prática. Ou mesmo porque não gostam de estabelecer restrições a seus convidados (eu mesma sou uma, acho muito chato isso de criar proibições num evento familiar). Portanto, a questão é relativa e muito pessoal.

Mas o ponto que eu queria chegar era sobre o limite desse tipo de comportamento por parte dos convidados, principalmente durante a cerimônia. Em primeiro lugar, se os noivos não permitem, aí nem tem discussão – é simplesmente uma baita deselegância e falta de educação do convidado em questão (se ele foi avisado, é claro), e então cabe aos noivos combinarem com seu cerimonial antes e quem sabe até dar permissão aos mesmos para pedirem aos convidados que guardem seus aparelhos, se por acaso virem alguém com eles.

Mas se os noivos permitem ou não importam, a questão é: qual o limite? Digo isso, porque vejo muitos profissionais de imagem e também cerimoniais reclamando do quanto esse tipo de prática tem atrapalhado seus trabalhos: obstruindo corredores centrais da cerimônia ou o próprio altar; prejudicando o campo de visão desses profissionais com braços, com os próprios dispositivos ou até mesmo com o corpo inteiro; estragando a fotometria das imagens por causa dos flashes desses dispositivos; etc…

A vocês noivos e noivas: se vocês permitem que seus convidados usem dispositivos fotográficos pessoais, vocês tem duas escolhas – ou arcam com as consequências de que suas imagens profissionais podem ser prejudicadas por causa disso, ou estabelecem uma permissão com limites para que não atrapalhem o trabalho dos seus profissionais contratados. Com isso, inclusive, vocês podem até mesmo dar a permissão a seus fornecedores (cerimoniais e profissionais de imagem) de interpelarem algum de seus convidados que por acaso estejam atrapalhando o registro das imagens por causa de algum dispositivo fotográfico pessoal, por exemplo. Ou, se querem já deixar os convidados pré-avisados e não sabem como fazê-lo, podem dar a orientação no site dos noivos ou mesmo deixar um recadinho delicado e simpático no banco da igreja junto com as lágrimas de alegria ou com o programa/missal.

Por outro lado, profissionais também precisam entender que tem de lidar com situações adversas como essas em eventos sociais, e nem sempre os contextos são os mais favoráveis nem perfeitos possíveis, ou seja: por mais que eles não concordem que os noivos permitam isso, desde que seja esclarecido pra eles de que aquela prática pode atrapalhar seu trabalho, é interessante respeitar e compreender o contexto e a dinâmica daqueles noivos, de sua família e amigos, e trabalhar com o que for possível dentro dessa realidade – ou até mesmo se aproveitar dela pra realizar registros criativos ou incomuns, como de um convidado fotografando os noivos. Se isso é importante para o casal que é seu cliente, provavelmente eles irão gostar muito desses registros inusitados. Afinal, um bom profissional sabe se adaptar e criar imagens belas com quaisquer situações emergentes. Sei de um caso em que um tablet entrou na frente de um fotógrafo no momento em que os noivos saíam da igreja, e em vez de se irritar, o fotógrafo aproveitou a própria imagem do tablet pra fazer uma foto original dos noivos. Um outro exemplo clássico é o do casamento da Juliana Paes, em que a fotógrafa Renata Xavier aproveitou a situação em que dezenas de câmeras faziam parte da cena e fez uma foto lindíssima e recheada da verdade do momento! Acho muito válido!

Bom, era sobre isso que gostaria de falar por hoje. Vamos trocar ideias? Compartilhe suas experiências e opiniões nos comentários! E deixe também sugestões de outros temas com o assunto “conflitos” pra gente abordar por aqui. ;]

Um beijo grande e estou à disposição!

Fotos ilustrativas desse post: Meliess, Studio Gaea, banco de imagens, Olhar 360, Jamie Bosworth, google, google, Renata Xavier. 

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2 Comentários

2 Comentários

  1. Vi Santos disse:

    Eu acredito que deve aver um respeito mutuo, já que é difícil você querer proibir que seus convidados tirem suas próprias fotos.

    Estou realizando meu casamento e vou contratar um fotografo mas irei permitir que os convidados tirem fotos.

    Bjss

  2. VRebel disse:

    Que atrapalha ninguém pode falar o contrário, mas proibir, impossível. Já fizemos diversos casamentos de personalidades que “confiscaram” o celular e mesmo assim teve foto vazando.


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